segunda-feira, 20 de novembro de 2017

COMO A GEOLOGIA PERDEU DUANE PACKER

       


O geólogo Duane Packer exerceu por muitos anos sua profissão, possuindo doutorado em Geofísica. Em 1984, era empregado de uma empresa que prestava consultoria a diversas companhias e, por força desse trabalho, viajava por todo o mundo. Sua especialidade era a seleção de locais para construção de barragens em áreas sujeitas a terremotos, um trabalho muito especializado e de extrema responsabilidade. Além disso, dirigia uma grande empresa petrolífera.
            Nas horas de folga, Duane Packer exercia uma atividade bem diferente: dava aulas e realizava curas usando a bioenergia, através de técnicas que ele mesmo desenvolvera. Essa atividade o entusiasmava tanto que ele começou a ter dúvida se continuava trabalhando como geólogo, se abria sua própria empresa de consultoria ou se largava tudo e se dedicava apenas à bioenergia.
            Certa dia, aconteceu-lhe algo estranho quando  trabalhava com a energia de outras pessoas. Conta ele:

       Dei comigo fazendo coisas que não pareciam se originar de qualquer treinamento ou conhecimento anterior e esses movimentos e técnicas produziam resultados impressionantes. As pessoas se davam conta de que lesões ou dores que tinham há anos desapareciam às vezes no decurso de uma hora. Eu simplesmente não conseguia explicar como estava conseguindo esses resultados. Parecia que eu sabia quando tinha realmente terminado algum procedimento, e eu sentia uma presença invisível que parecia estar me auxiliando.

            Uma amiga de Duane Packer, Sanaya Roman, dizia manter contato com vários guias espirituais e Packer foi falar com ela, pedindo-lhe que obtivesse de um de seus guias, chamado Orin, explicações sobre o que vinha acontecendo com ele e orientação sobre sua vida. O guia consultado por Sanaya disse que Parker provavelmente deixaria o emprego, mas ele não acreditou. Aliás, Parker, na verdade, não sabia sequer se acreditava na comunicação que sua amiga dizia manter com guias espirituais. Mas, na falta de explicações para o que vinha acontecendo com ele nas suas sessões de cura, adiou seu julgamento sobre aqueles fatos e continuou consultando Orin através de sua amiga.
            Com o passar do tempo, Packer percebeu que, durante os contatos com Orin, Sanaya sofria mudanças em sua energia e na sua aura. Embora não soubesse como nem por que, ele percebia bem essa alteração. Além disso, as mensagens que começou a receber do guia continham uma sabedoria e um amor que ele nunca encontrara em nenhum ser humano. Conta ele:

       Vi-me frente a frente com muitas contradições entre aquilo em que eu acreditava e o que estava ocorrendo diante dos meus olhos.

            Uma ocasião, Packer teve uma experiência que abalou ainda mais suas crenças. Eis como ele a descreve:

       Certo dia, enquanto eu corria nas colinas, tudo se transformou em padrões em movimento. As árvores não mais pareciam árvores e sim padrões de vibração e eu era capaz de ver através delas. Fiquei imediatamente preocupado com minha sanidade mental. Além de não querer contar aos outros a respeito do ocorrido, eu nem mesmo queria admitir para mim mesmo que essas coisas estavam acontecendo. Alguns dias mais tarde, parei ao lado de um carro num sinal de trânsito. Dei uma olhada para a mulher que estava ao volante e, para meu horror, ao invés de ver uma pessoa, divisei um casulo de luz e linhas de energia ao redor de seu corpo. Fiquei tão preocupado que pedi que essas experiências tivessem um fim, o que de fato aconteceu durante algum tempo.

       Após certo período, Packer começou a ver de novo a energia dentro e ao redor do corpo das pessoas, distinguindo três e depois quatro qualidades ou camadas de energia. Mais tarde, - conta ele - após uma intensa observação, descobri que elas estavam estreitamente ligadas à aura física, mental, emocional e espiritual das pessoas. Alguns indivíduos tinham em torno de si vórtices rodopiantes de energia (...).

            Esses fatos aguçaram seus dilemas existenciais:

       Eu estava começando a sentir uma profunda cisão. Minha parte científica ia trabalhar todos os dias para lidar com a administração e as realidades comuns da ciência e do mundo dos negócios. Após o trabalho, eu voltava para casa e entrava em contato com a energia das pessoas vendo coisas que a ciência afirmava não existir e alcançando resultados aparentemente impossíveis. (...) Eu sabia que teria de tomar algum tipo de decisão para continuar a funcionar. Meu eu científico me dizia que eu estaria cometendo um desatino se me dedicasse em tempo integral à energia e ao trabalho com o corpo. Meu eu intuitivo me dizia que eu não poderia mais suportar continuar a trabalhar fora e negar o que estava se tornando a parte mais interessante de minha vida, ou seja, minhas experiências com a realidade superconsciente. Passei um dia inteiro com Sanaya e Orin, em abril de 1984, esperando solucionar o conflito.
       Naquele dia de abril, eu soube que algo iria acontecer. Algumas semanas antes o nome DaBen viera à minha cabeça enquanto eu dirigia(...) como se tivesse sido sussurrado ao meu ouvido.  Eu ainda não estava certo de que acreditava na canalização**, embora pudesse perceber a transformação nas auras das pessoas quando seus guias chegavam. Tornava-se mais difícil a cada dia negar o que eu estava vendo. Eu certamente não queria entregar minha vida a um guia; eu queria lidar pessoalmente com ela.

            Naquele dia, Packer recebeu orientação de Orin para que pronunciasse o nome DaBen. Foi-lhe dito que era o nome de um guia espiritual e que ele devia convidá-lo a se aproximar.

       Comecei a ficar quente e frio à medida que seguia sua sugestão. Comecei a ver Sanaya em cores e camadas e fui capaz de enxergar através dela. A entidade parecia se aproximar e se tornar mais real. As sensações físicas eram muito fortes, a parte inferior do meu diafragma vibrava descontroladamente e eu sentia falta de ar. Foi tudo bastante dramático e percebo, quando olho para trás, que se a experiência não tivesse sido assustadora, eu não teria acreditado que ele era real. (...) Compreendi mais tarde que a aparição de DaBen não precisava ter sido sensacional.
       O meu despertar para a canalização produziu mudanças imediatas na minha vida. (...) Eu passara muitos meses indeciso, sendo duas pessoas, imaginando o que fazer. Eu sabia agora, com uma profunda certeza interior, que precisava seguir o meu caminho no trabalho com o corpo e no fortalecimento das outras pessoas (..) No dia seguinte, delineei um plano de saída e comuniquei à companhia que estava me demitindo.
       Foi uma decisão extremamente importante, uma vez que tive que enfrentar todos os anos de treinamento científico que desprezaram, ou riram dos fenômenos metafísicos. A canalização e os guias definitivamente não eram assuntos a serem discutidos com os colegas cientistas !


________________
(*) Todas as informações e transcrições deste artigo foram extraídas da obra Os guias espirituais ensinam o caminho, de Sanaya Roman & Duane Packer (Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 1992. Trad. Cláudia Gerpe Duarte).

(**) Comunicação com uma entidade espiritual. 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A COR E O VALOR DAS PEDRAS PRECIOSAS


            A cor é a propriedade mais importante na determinação do valor de uma gema lapidada. Ela responde por 50% do valor, enquanto a pureza representa 30% e a lapidação, 20%.
      O topázio pode ser incolor ou ter várias outras cores (é, por isso, classificado como gema alocromática). O mais valioso é o topázio imperial, amarelo a laranja.
A safira pode ter também muitas cores ou ser mesmo incolor. Mas, a mais valiosa é a azul escura, com algo de violeta.         
Outro exemplo ainda é o berilo, também incolor ou de cores variáveis, destacando-se pelo valor a variedade esmeralda, de cor verde.
Diante desses exemplos, pode o leigo no assunto perguntar: como saber qual a cor mais valiosa das gemas alocromáticas? A resposta é: consultando manuais de Gemologia, um gemólogo ou um joalheiro experiente.
Felizmente, existem as gemas idiocromáticas, aquelas que ocorrem sempre com a mesma cor.  Eu disse felizmente?  Esqueça.  Acontece que nessas gemas há uma só cor, mas pode haver diversas tonalidades, e isso se reflete no valor final. Como regra, quanto mais escura a gema, mais valiosa, embora existam algumas exceções.
A ametista é sempre roxa; o citrino, amarelo ou laranja; o rubi, sempre vermelho, e por aí vai. Mas, o roxo da ametista costuma ser classificado em pelo menos quatro categorias: primeira, segunda, terceira e quarta. Ou extra, primeira, segunda e terceira.   Do mesmo modo é classificado o citrino.
Nesses casos, como saber então se a ametista que temos é extra ou de outra categoria?  Aí, amigos, manuais de Gemologia não ajudam. E o gemólogo ou joalheiro que você consultar talvez não saiba definir isso com segurança.  Quem então faz isso?  Os produtores dessas gemas.  Eles têm pessoal treinado para classificar as gemas nessas categorias quando estão ainda no estado bruto. .
Vejam a foto abaixo.  Ela mostra três qualidades de citrino martelado em relação á cor.  (Gema martelada é aquela que teve as porções com impurezas ou cor ruim removidas com martelos especiais).



Olhando assim, pode parecer fácil distinguir um citrino de segunda de um de terceira ou quarta categoria.  Afinal você está vendo amostras das três classes juntas.  Mas pegar um lote de gemas brutas e ir separando uma a uma conforme az qualidade da cor é trabalho que só faz quem treinou bastante.
A foto a seguir mostra ametistas, também divididas nas mesmas categorias. Para elas vale o mesmo que foi dito acima sobre o citrino, mas talvez já não seja tão fácil fazer a classificação. 

O rubi é sempre vermelho, mas o vermelho sangue de pombo é considerado a cor mais valiosa para essa gema.
      E a classificação do diamante?  Aí, meus amigos, é outro departamento. Classificar diamantes requer uma iluminação correta (artificial), num ambiente adequado, com um conjunto de gemas de diferentes categorias para servir como padrão de comparação, e, mesmo assim, muita, mas muita experiência!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

ALGUMAS JOIAS INUSITADAS


      O emprego de materiais pouco comuns em joias não é grande novidade. Sempre há designers 
exercitando a criatividade e a originalidade, pondo em suas criações materiais usualmente empregados apenas com outras finalidades.
Acho que foi lá pela década de 70 do século passado, quando o jacarandá era uma madeira muito usada, que surgiram joias feitas com ouro e jacarandá. Elas ainda hoje são produzidas e podem ser adquiridas, na internet, por exemplo no site www.mercadolivre.com.br.
No início do século atual, surgiu algo muito inusitado: empresas dos EUA e depois de outros países começaram a produzir diamantes sintéticos feitos com cinzas humanas.  Isso mesmo: após a cremação, a família entrega parte das cinzas (bastam 30 a 40 g para se ter um diamante de um quilate) e recebe um diamante de origem muito especial. A cor pode ser a natural ou outra, à escolha do cliente.  Em 2008, havia pelo menos uma meia dúzia de laboratórios produzindo diamantes humanos (em inglês "memorial diamonds").
Atualmente, as joias com materiais inusitados continuam surgindo. Eliana Colognese, designer gaúcha, tem criado peças (foto abaixo) usando botões, vegetais diversos, como algodoeiro, jacarandá e coco, prendedores de roupa e até cabo de enxada. (Saiba mais em http://jcrs.uol.com.br/ conteudo/2017/05/ge/noticias/565392-joias-alem-do-metal.html.)



                                                  
Um objeto de adorno pessoal que não é propriamente uma joia, mas que é igualmente feito com material pouco comum são os óculos de pedra. Mármore, lápis-lazúli e outras rochas estão sendo usados para fazer armações de óculos em que cada peça é única, jamais igual a outra.  A cor é natural e as estampas são vênulos da própria pedra.  
A Budri (www.budri.com), empresa que produz esses óculos, apresentou, em março deste ano, numa feira em Milão, óculos luxuosos feitos de mármore de várias cores e com as mais variadas texturas (foto abaixo). Esses mármores provêm de países variados, como Turquia, Índia e França e as peças com eles produzidas trazem o nome da pedreira de onde a matéria-prima foi extraída.


                                                                  
O processo de fabricação leva até 25 horas e resulta em armações resistentes e, ao contrário do que se poderia supor, leves.
É uma novidade recente, mas a fila de espera por um par desses óculos já começa a ganhar corpo na Europa.
Por fim, um último tipo de joia inusitado - e controverso -, que segue a linha dos diamantes humanos. A joalheria australiana Baby Bee Hummingbird está criando peças feitas com leite materno, dentes de leite, placenta, cabelos, cordão umbilical, fluidos corporais e até embriões humanos que sobraram da fertilização in vitro.  Ela já produziu pelo menos cinquenta joias com cinzas de embrião humano.
Essas peças são, dizem eles, uma arte sagrada e representam um meio de guardar uma memória.
O uso de embriões está sendo opção de pais que não querem doá-los nem enterrá-los, mas que não podem continuar pagando a taxa de sua manutenção que varia de US$ 300 (R$ 931,00) a US$ 1.200 (R$ 3.725,00) por ano.

Joias "biológicas" como a que se vê acima, podem ser pendentes, brincos e anéis e podem conter também a primeira mecha de cabelo cortado, o primeiro dente que caiu ou até fluidos  corporais.                                                          
A iniciativa é criticada por grupos pró-vida, que acreditam que a vida tem início já a partir da     fecundação. A ONG Liga Americana da Vida (ALL)     considera a prática demoníaca.                                                              

sexta-feira, 19 de maio de 2017

DESTAQUES DA EXPOSOL 2017


            O município de Soledade (RS) realiza, todos os anos, no início de maio, a Exposol – Feira Internacional de Joias, Gemas e Minerais.  Segundo seus organizadores, é a maior feira do gênero na América Latina.
Teófilo Otoni (MG) realiza feira semelhante, a FIPP – Feira Internacional de Pedras Preciosas, no mês de agosto (a próxima será de 16 a 20 daquele mês) e, segundo os mineiros é a maior feira de joias, gemas e minerais do Cone Sul, destacando que o evento se realiza na fonte, ou seja, na própria região produtora do material exposto.
Pouco importa saber qual das duas feiras é a maior, pois ambas são muito importantes e atraem expositores de vários países. E é normal que sejam os dois maiores eventos desse setor já que Minas Gerais e o Rio Grande do Sul são os principais produtores de gemas do Brasil, destacando-se Minas Gerais pela grande variedade das pedras preciosas e o Rio Grande do Sul, pelo grande volume comercializado, embora este estado produza basicamente apenas ágata, ametista e citrino.


Participaram da Exposol 2017  65 expositores, 31 de Soledade, dezesseis de outros municípios gaúchos, dezesseis de Minas Gerais e dois do Peru.
Os expositores trouxeram, como sempre, lindas peças de minerais brutos, gemas, joias, bijuterias e objetos decorativos feitos com minerais e rochas. Meu interesse maior sempre é pelos minerais no estado bruto, mas é impossível deixar de admirar os outros produtos, comercialmente mais importantes por terem maior valor agregado.
Apesar da crise financeira da qual só agora o país está saindo, os organizadores da Exposol mostraram-se muito satisfeitos com os resultados do evento, tanto em número de visitantes quanto no volume de negócios realizados.
Vejam a seguir algumas das peças em exposição que mais me chamaram a atenção.



 O quadro acima foi feito com chapas polidas de ágata e tem iluminação na parte posterior É produzido pela RDF Pedras, mede aproximadamente 25 x 50 cm. Estava à venda por 400,00.
Sou bastante exigente com relação a animais feitos com pedras, mas esta peça linda mostra uma drusa de cristal de rocha em cristais pequenos e, sobre ela, beija-flores feitos com diversos minerais.  É um produto da Style Art, mede 35 x 35 cm e estava à venda por R$ 1.800,00. 



 Falando ainda sobre objetos decorativos, gostei muito da luminária abaixo, da Brazil Plus (Soledade). Ela é foi feita com chapas de 10 cm x 10 cm de aragonita bandada, de cores marrom-clara e bege. A peça mede 30 cm x 30 cm x 120 cm e custa R$ 3.720,00


  
A mesma Brazil Plus exibiu também esta mesa, feita com rocha (provavelmente calcário), rica em fósseis de cafalópodes. A mesa tem forma poliédrica, com 14 lados, mede cerca de um metro e foi importada do Marrocos. Preço: R$ 5.950,00.



A Lodi Pedras Preciosas, da família Lodi, uma das maiores empresa do ramo em Soledade, dividiu-se em duas que vieram se somar a outras três, criadas por descendentes dos primeiros empresários da família. Assim, existem hoje e estavam presentes na Exposol, a HL Minerais, a Dijhal Gemas, a MR Lodi Stone, a MV Lodi Pedras e a V. Lodi Cristais.
A HL Minerais exibiu um fantástico lote de ágatas de cores naturais, com cerca de 1,20 m de comprimento, procedentes de um garimpo daquela região.  O lote compreende cinco peças. O preço de cada uma é US$ 10.000 e inclui o suporte metálico giratório em que a peça é exibida, mas, a empresa só estava aceitando propostas de compra do lote todo.



 A Collection of Stones, de Corinto (MG), pôs à venda o curioso quartzo véu de noiva (foto abaixo). São cristais de quartzo incolor de 10-12 cm, revestidos por microcristais brancos do mesmo mineral. 



 A mesma empresa estava vendendo as drusas de ametista abaixo, medindo 30 a 40 cm. A cor da gema não é muito boa, mas as peças se destacam pelo tamanho dos cristais, por volta de 8 cm. 



A Bagatini Pedras, de Soledade, expôs uma boa coleção de minerais e rochas, mas ela não estava à venda. É uma iniciativa merecedora de elogios exibir materiais apenas pelo seu valor didático, sem fins lucrativos. Todas as peças da coleção estavam devidamente identificadas, mas mostrei a eles que nove delas continham erros na grafia do nome, tipo raulita, em vez de howlita; rodocrozita (em vez de rodocrosita), crisopásio (em vez de crisoprásio), etc.
A foto abaixo mostra um grande bloco de sodalita e a coleção de minerais e rochas ao fundo.
           


           Geodos de ametista, é claro estão sempre presentes, grandes e belos.



           Do mesmo  modo, sempre presentes estão os geodos de citrino. Os três da foto abaixo, da HL Minerais,  são, na verdade, uma peça única.




        Uma peça bem original é este globo terrestre, em que os países são representados por diferentes minerais.


      Uma informação importante mas que nem sempre os  comerciantes de gemas e minerais para coleção sabem dar é o local de onde eles foram extraídos.  Quando perguntei isso na Exposol, sempre me responderam, mas em mais de uma oportunidade senti insegurança do expositor ao dar a informação.  Isso acontece muito também no setor de rochas ornamentais. É muito comum, aqui em Porto Alegre, por exemplo, citarem o estado do Espírito Santo como origem de muitos mármores e granitos, simplesmente porque é lá que eles os compram. Cachoeiro do Itapemirim (ES) é importante centro de beneficiamento e venda dessas rochas, mas muitas delas, embora ali industrializadas, provêm de outros municípios e estados.
            Isso, porém, não tira o brilho do belo evento que é a Exposol. Visitá-la é sempre uma grande oportunidade de se maravilhar com as lindas peças lá expostas, sem pagar nada, e tendo à disposição dezenas de estandes para fazer compras.

            Em 2018, de 3 a 6 de maio, lá estaremos de novo. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

OUTRO ÍCONE DA JOALHERIA BRASILEIRA

     Quando terminei de escrever sobre Jules Sauer, me dei conta de que precisava falar também sobre outro ícone da joalheria brasileira, Hans Stern. Ele foi o fundador da H. Stern, uma rede de 280 joalherias espalhadas por 32 países e que emprega quase 3.000 pessoas.
A vida de Hans Stern assemelhou-se em muitos aspectos à vida de Jules Sauer.  Ambos vieram da Europa para o Brasil muito jovens (Hans com 17 anos, Sauer com 18), no início da II Guerra Mundial. Eram de origem judia, ambos começaram a vida profissional aqui em atividade não ligada diretamente às pedras preciosas (Sauer deu aulas de francês e Stern começou trabalhando como datilógrafo) e, o mais importante de tudo, os dois deram enorme impulso ao conhecimento e consumo de pedras preciosas brasileiras, numa época em que elas eram consideradas gemas de segunda categoria.
O primeiro emprego de Hans Stern foi numa empresa que lapidava e importava predras preciosas (chamada Cristab). Ele logo se encantou com a beleza daquela mercadoria e começou a viajar por todo o país, inclusive a cavalo, conhecendo garimpeiros e comprando gemas diversas.
Em 1945, fundou no Rio de Janeiro, uma pequena loja: era o início da H. Stern, que desde o início teve este nome.


Brincos Harmony, criados para a H. Sten pela estilista
Diane von Furstenberg, com rubi, rubelita, berilo, citrino, 
quartzo rosa e diamante.


Hans não se conformava com o fato de classificarem nossas gemas como pedras semipreciosas, e ficou famosa uma frase sua: Não existe pedra semipreciosa, como não existe mulher semigrávida. De fato, embora a denominação pedra preciosa seja correta, o mesmo não se dá com pedra semipreciosa, por várias razões. A principal é que nunca houve consenso sobre quais pedras seriam consideradas preciosas. Normalmente, eram assim classificados o rubi, a safira, a esmeralda e o diamante. Alguns autores, porém, incluíam também a opala preciosa e o crisoberilo, por exemplo. E outros, a pérola. Além disso, a distinção era inútil e, para o Brasil, muito prejudicial.
Vários autores e gemólogos de renome têm a mesma opinião: Robert Webster, Walter Schumann, Joel Arem, Erich Merget e, é claro, nosso tão estimado Jules Sauer.
O preço não é critério válido para a separação: esmeralda, rubi, safira e diamante são usualmente gemas caras, mas a turmalina Paraíba tem preço médio maior que o do rubi e o da safira e a alexandrita e a opala-negra têm preço médio igual ao da esmeralda, por exemplo.
Coerente com esses posicionamentos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) recomenda evitar sempre o uso da palavra semipreciosa, substituindo-a por preciosa, salvo exigência comercial ou legal (NBR 10.630).   
Assim como devemos a Jules Sauer o reconhecimento internacional da esmeralda brasileira, devemos a Hans Stern essa atitude importante na valorização das nossas gemas.


                     Anel Sunrise, em ouro, ametista e um 
                     pequeno diamante na lateral da peça. 

Considerar pedra preciosa gemas como água-marinha, turmalinas e topázio imperial não foi difícil. Mas, considerar assim gemas relativamente baratas como ametista, citrino e ágata foi resultado do empenho de gemólogos como os citados.  Hans Stern, entretanto, foi bem além.
     Eu achava – e acredito que outros gemólogos experientes também - que incluir o quartzo incolor (cristal de rocha) entre as pedras preciosas era o que hoje se chama de forçar a barra. Afinal o
quartzo é a espécie mineral mais comum do planeta, e o cristal de rocha é a mais comum de suas muitas variedades. Então, lapidar e colocar cristal de rocha em uma joia era algo difícil de conceber.  Pois a H. Stern fez não uma joia, mas toda uma coleção com cristal de rocha!  Com uma inteligente campanha de marketing, apresentaram a coleção como joias leves, adequadas à estação (era verão).  Para mim então ficou consagrado definitivamente que qualquer mineral com beleza suficiente para justificar sua lapidação podia ser chamado de pedra preciosa.  E assim deve ser: há gemas caras e baratas, como há calçados, roupas, bebidas, etc. de preços bem variados.

                      Gargantilha Nature, com turmalina verde e diamante.

            Por fim outro reconhecimento que devemos e Jules Sauer e a Hans Stern. Ambos souberam transmitir aos filhos o amor pelas empresas que criaram, e são eles que hoje dão continuidade às notáveis obras de seus pais.  Nos anos 90, Hans convidou dois de seus filhos a participar da direção da empresa, mas continuou indo lá, todas as manhãs, dirigindo ele mesmo seu Fusca e sem seguranças.
Raramente dava entrevistas e não gostava de posar para fotografias. Ele nasceu quase cego e só começou a enxergar com o olho direito aos dois anos de idade. Gostava de ler, ouvir música clássica e tocar órgão.
Hans Stern colecionava selos e, é claro, pedras preciosas, e deixou uma grande coleção de turmalinas, sua pedra preferida.
A exemplo de Jules Sauer – as coincidências parecem não ter fim... – criou um museu na sede de sua empresa, em Ipanema, no Rio, onde são exibidas mais de mil turmalinas lapidadas.
Stern nasceu em Essen, na Alemanha, e faleceu no Rio de janeiro, em 2007, no mês em que completou 85 anos.

PARA MAIS INFORMAÇÕES:

Fotos: Pedro Rubens, revista Veja.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

DEIXOU-NOS UM GRANDE DEFENSOR DAS GEMAS BRASILEIRAS

            Faleceu, dia 1º de fevereiro, aos 95 anos, no Rio de Janeiro, o joalheiro Jules Roger Sauer. Francês da região da Alsácia, ele foi o fundador, em 1941, da Lapidação Amsterdam Ltda., hoje Joalheria Amsterdam Sauer.

                          Foto: Ana Branco, Agência OGlobo

Houve, porém, uma gema brasileira que Sauer tornou particularmente conhecida e respeitada: a esmeralda. Sauer foi responsável pela valorização e popularização das gemas brasileiras no mercado internacional. Até então, o que se valorizava mesmo era o diamante, uma gema sempre importante; a esmeralda e o rubi, que o Brasil não produzia, e a safira, que nosso país produzia muito pouco (se é que produzia).  As dezenas de outras gemas que o Brasil colocava no mercado – topázio, opala, água-marinha, turmalinas, granadas, ametista, etc. – eram genericamente consideradas apenas pedras brasileiras, uma subcategoria. Sauer começou a divulgar e valorizar essas pedras preciosas menos prestigiadas e hoje o reconhecimento da nossa riqueza gemológica é um fato.

Houve, porém, uma gema brasileira que Sauer tornou particularmente conhecida e respeitada: a esmeralda. 
Contou ele, em um de seus livros (O Mundo das Esmeraldas), que em 10 de julho de 1963, quando estava em férias com a família, um garimpeiro que trabalhava para ele informou haver encontrada uma pedra verde no pequeno povoado chamado Salininha, perto da cidade de Pilão Arcado, na Bahia. Os garimpeiros não acreditavam que fossem esmeraldas e quando a descoberta foi divulgada, especialistas confirmaram que não eram.



     

  .
A cor verde da esmeralda normalmente é devida à presença de cromo, e os cristais descobertos em Salininha eram exatamente como a esmeralda, mas com cor verde produzia por vanádio.  E foi este detalhe o único argumento apresentado para considerar a nova gema simplesmente um berilo verde (a esmeralda, como a água-marinha, é uma variedade de berilo).
Inconformado, Sauer encaminhou a gema ao Gemological Institute of America (GIA) para análise e, em 9 de agosto de 1983, o GIA emitiu o laudo Nº 20.259, atestando que se tratava de Natural Emerald, a valiosa gema que era aqui procurada desde os tempos do bandeirante Fernão Dias Paes, o Caçador de Esmeraldas.
Com isso, o mercado internacional não teve como deixar de reconhecer a autenticidade da nossa pedra preciosa.

De origem judia, no início da 2ª Guerra Mundial Jules Sauer fugiu de bicicleta da Bélgica, onde morava, pedalou sozinho 1.500 km ate à Espanha, onde foi preso por não ter documentos. Fugiu da prisão e foi para Portugal onde embarcou em um navio para o Rio aonde chegou com 18 anos. (Coincidentemente, Hans Stern, fundador da famosa rede brasileira de joalherias H. Stern, chegou ao Brasil na mesma época e com 17 anos.)
Aqui, sobreviveu inicialmente dando aulas de francês, até conseguir um emprego na empresa de pedras preciosas do irmão de um aluno, em Minas Gerais. Jules aprendeu rapidamente as técnicas de lapidação e em pouco tempo, alcançou sua independência.
Embrenhou-se Brasil adentro como comprador e vendedor de pedras. Pouco menos de dois anos após deixar a Bélgica, já era dono da própria empresa (instalada numa zona de baixo meretrício de Belo Horizonte !).
Além dos vários livros que escreveu, Sauer criou o Museu Amsterdam Sauer, com seu acervo de mais de três mil peças, incluindo a maior alexandrita bruta conhecida (24,48 kg).
Considerado uma das maiores autoridades em alta joalheria do mundo, Jules Sauer era, desde 2004, membro do Círculo de Honra do Gemological Institute of America (GIA), a mais importante instituição gemológica do mundo. Era também Cidadão Honorário de Belo Horizonte, Teófilo Otoni e Governador Valadares (MG), São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1959, conquistou pela primeira vez Diamond International Awards, a consagração máxima da joalheria internacional, com o anel Constellation.
Ele deixa dois filhos, Daniel, que tive o prazer de conhecer em reuniões da Comissão Técnica de Gemas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e que é diretor da empresa fundada pelo pai, e Débora.  


Fontes consultadas (acessadas em 12.02.2017):
http://oglobo.globo.com/ela/gente/morre-jules-sauer-fundador-da-joalheria-amsterdam-sauer-20856064